Série: Conhece os nossos Especialistas | IMPACTsci
Tema: Autismo, Educação e Desenvolvimento
1. Pedro, apresenta-te com as tuas próprias palavras. Quem és e o que te trouxe até esta área?
Eu sou o Pedro Lucas, uma pessoa autista, professor e pesquisador na área da psicologia da educação especial na perspectiva da educação inclusiva, com foco na relação entre autismo, educação e desenvolvimento. A minha trajetória começa na minha própria experiência como estudante.
Durante a minha infância e adolescência, eu encontrei muitas barreiras. Houve momentos e pessoas que acabaram por dificultar o meu desenvolvimento. E ao longo do meu percurso, eu também encontrei professores, especialmente pedagogos, que foram absolutamente determinantes na minha vida. Eles acreditavam na minha potência de participação e desenvolvimento como estudante autista e, muitas vezes, acreditavam em mim mais do que eu próprio conseguia acreditar naquele momento.
Esses professores criaram condições concretas para o meu desenvolvimento. Trabalharam com comunicação alternativa, utilizaram linguagem simples, organizaram mediações pedagógicas, propuseram momentos de leitura acompanhada, e ajudaram-me a interpretar o mundo e a situar-me nas situações sociais. Ou seja, atuaram diretamente na construção das minhas possibilidades de desenvolvimento.
Hoje, olhando para trás, eu consigo nomear essa experiência a partir de uma base teórica muito clara: Lev Vigotski e a Teoria Histórico-Cultural. Mesmo antes de conhecer formalmente essa teoria, eu fui profundamente impactado por práticas pedagógicas que partem exatamente desse princípio, o de que o desenvolvimento humano é mediado social e culturalmente, e que o ensino, quando bem-organizado, pode impulsionar o desenvolvimento.
Essa memória marcou-me e constituiu-me. Foi isso que me trouxe até esta área. Eu quis compreender, teorizar e também devolver ao mundo aquilo que, de alguma forma, foi decisivo na minha própria trajetória.
2. O que significa para ti ser simultaneamente Pessoa Autista e especialista em educação inclusiva? Como é que essa dupla perspetiva muda a forma como trabalhas?
Ser simultaneamente uma pessoa autista, especialista em educação inclusiva e pesquisador da relação autismo, educação e desenvolvimento é uma posição epistemológica diferente dentro do campo.
Ao longo do meu percurso, especialmente na infância e adolescência, eu vivi momentos em que tive necessidades significativas de apoio. Essa vivência acompanha-me quando entro na universidade e quando me torno pesquisador. Passa a ser um elemento ativo na forma como eu produzo conhecimento.
Hoje, existem vários pesquisadores autistas contribuindo para o campo, e isso é extremamente importante. Eu não sou o único, e isso fortalece a área. O que nos diferencia, de forma geral, é a possibilidade de produzir conhecimento também a partir de uma perspectiva em primeira pessoa.
No meu caso, vivenciar o autismo permite olhar para os processos educativos como experiência vivida, somada ao objeto de estudo. Isso muda profundamente a forma como eu trabalho. Quando eu penso em mediação pedagógica, em linguagem, em organização do ambiente ou em participação, eu reconheço como essas dimensões operam na prática, no corpo, nas relações de ensino, no cotidiano escolar.
Se pensarmos em dois especialistas a dar uma formação sobre autismo, um com sólida formação teórica e outro sendo eu, a diferença está em como esse conhecimento é constituído.
Eu trago a articulação entre teoria e experiência vivida. Trago a possibilidade de tensionar leituras mais abstratas com a complexidade do que é, de fato, viver processos de escolarização sendo uma pessoa autista. Trago também uma atenção muito mais fina às mediações, ao detalhe das relações, da linguagem, das expectativas colocadas sobre o estudante.
A minha experiência como estudante autista qualifica as perguntas que eu faço, os caminhos que eu escolho na pesquisa e as conclusões que eu construo como professor e pesquisador.
E isso tem um impacto direto no meu trabalho: eu tendo a construir práticas e formações que partem das potencialidades de desenvolvimento, e das condições adequadas de mediação, participação e acesso.
No fundo, essa dupla perspetiva faz com que eu não consiga separar conhecimento de experiência. E é justamente essa inseparabilidade que orienta a forma como eu ensino, pesquiso e atuo na área da educação inclusiva.

3. Com que tipo de pessoas e contextos trabalhas no dia-a-dia?
Atualmente, o meu trabalho concentra-se sobretudo no campo do atendimento educacional especializado voltado a crianças e adolescentes autistas. O contato direto com os estudantes tem diminuído progressivamente, à medida que crescem as demandas por supervisão pedagógica.
Hoje, uma parte significativa da minha atuação envolve orientar profissionais que trabalham diretamente com esses estudantes: professores do atendimento educacional especializado, docentes da educação inclusiva, professores da sala de aula regular, acompanhantes terapêuticos e também famílias. Nesse contexto, desenvolvo um trabalho de supervisão em que acompanho e contribuo com a prática desses profissionais, articulando minha experiência como pessoa autista, pesquisador e professor especializado na área.
Outra frente importante da minha atuação é a formação de professores. Trabalho tanto na formação inicial, em cursos de graduação e licenciatura, quanto na formação continuada, por meio de especializações e cursos de aperfeiçoamento. Tenho também como objetivo futuro atuar na orientação de mestrado e doutorado, ampliando minha contribuição na formação académica de novos pesquisadores.
Além disso, na Universidade de Brasília, coordeno a área educacional do Núcleo de Autismo e Neurodiversidade. Nesse espaço, desenvolvo um trabalho de supervisão com estudantes do curso de Pedagogia, acompanhando sua atuação no atendimento educacional especializado voltado a alunos autistas da própria universidade.
Essas diferentes frentes, supervisão pedagógica, formação docente e atuação universitária, compõem hoje o núcleo do meu trabalho, sempre articulado à perspectiva da educação inclusiva e ao compromisso com práticas mais qualificadas e contextualizadas.

4. Tens trabalhado muito os temas da tecnologia assistiva e acessibilidade educacional. Podes dar um exemplo concreto de como isso muda a vida de uma pessoa neurodivergente?
Quando falamos de tecnologia assistiva e acessibilidade educacional, estamos a falar, no fundo, de criar condições reais para que estudantes autistas possam participar, e é a partir da participação que o desenvolvimento acontece.
Um exemplo muito concreto vem do trabalho que tenho desenvolvido com acomodações sensoriais e comunicação aumentativa e alternativa em sala de aula. Em muitas situações, encontramos estudantes autistas que não conseguem acompanhar a rotina escolar porque o ambiente é excessivamente estimulante ou porque não é oferecido nenhum suporte para significar e interpretar as situações e informações sensoriais.
Num desses contextos, introduzimos duas mudanças principais. Primeiro, organizámos o ambiente com base em princípios de desenho universal: redução de informações sensoriais, previsibilidade da rotina e espaços de acomodação para todos os estudantes. Isso já diminuiu significativamente a sobrecarga e a ansiedade e, por ser aberto a todos os estudantes da classe, diminui a marca da diferença dos estudantes autistas.
A transformação mais marcante veio com a introdução da comunicação aumentativa e alternativa, por meio de pictogramas e apoios visuais. Esse estudante, que antes enfrentava muitas barreiras para compreender o que era esperado dele e para se expressar, passou a conseguir antecipar as atividades, fazer escolhas e comunicar necessidades e vontades, ampliando e qualificando a sua agencialidade.
O que mudou foi a forma como ele passou a participar. Ele deixou de estar à margem das atividades e passou a relacionar-se de maneira mais ativa nas propostas da sala. E, a partir daí, começamos a ver a ampliação e qualificação no processo de aprendizagem e nas relações sociais e, é claro, o desenvolvimento.
Esse tipo de recurso torna o acesso ao significado possível. E é justamente essa relação com o significado que está no centro da participação social e do desenvolvimento humano.
Além disso, quando pensamos essas estratégias numa lógica de desenho universal, elas deixam de ser algo “marcado” para um estudante específico e passam a qualificar a experiência de toda a turma. Ou seja, ao mesmo tempo em que garantimos acessibilidade, também produzimos contextos educativos mais inclusivos e mais potentes para todos.
5. No teu trabalho com professores e educadores, qual é o erro mais comum que ainda vês na forma como o autismo é abordado nas escolas e nas formações?
Uma das questões que mais observo nas formações de professores, especialmente nas formações continuadas, é a compreensão do autismo como um desvio de uma suposta normalidade. Esse talvez seja o erro mais recorrente: reduzir o autismo a um comportamento considerado inadequado, desviante ou errado, analisando o desenvolvimento da pessoa autista a partir de um elemento extremamente frágil e limitado, que é apenas o comportamento observado.
Muitas vezes, essa análise é orientada por uma ideia histórico-culturalmente construída do que seria o “normal”, o “correto” ou o “adequado”, tomando essa norma como parâmetro absoluto para interpretar o estudante autista. O problema é que, quando o professor parte dessa lógica, ele deixa de compreender o estudante em sua singularidade e nas suas possibilidades concretas de participação e desenvolvimento.
Essa postura acaba se tornando, ela própria, uma barreira educacional. Isso porque impede que professor e estudante construam, juntos, recursos, estratégias e vias de desenvolvimento social no processo de ensino. Em vez de favorecer a participação, a escola passa a operar a partir da tentativa de corrigir ou normalizar o estudante, o que limita profundamente as possibilidades de aprendizagem, interação e pertencimento.
6. O que é para ti Neurodiversidade Afirmativa. O que é isso na prática e o que é que NÃO é?
Para mim, a neurodiversidade afirmativa é compreender a diversidade no desenvolvimento humano e social, afirmando essa diversidade como potência de desenvolvimento e como possibilidade plena de participação na vida coletiva. Trata-se de reconhecer que diferentes formas de perceber, sentir, comunicar e relacionar-se com o mundo não representam desvios de uma norma, mas expressões legítimas da experiência humana.
Na prática, uma perspectiva de neurodiversidade afirmativa implica oferecer múltiplas vias de participação, comunicação e expressão. Significa construir contextos pedagógicos acessíveis, nos quais o estudante autista possa participar a partir de suas formas próprias de relação e desenvolvimento, e não a partir da exigência constante de adaptação a padrões normativos rígidos.
Enquanto pesquisador vinculado aos estudos críticos do autismo, compreendo a neurodiversidade afirmativa como um conceito central justamente porque ela altera profundamente a perspectiva de análise e de atuação pedagógica. Ela desloca o foco de uma lógica baseada no controle, na normatização e na obediência, muito presente em práticas tradicionais voltadas ao autismo, para uma perspectiva comprometida com a ampliação, qualificação e acessibilização das possibilidades de expressão e participação do estudante autista nos processos de mediação pedagógica.
Nesse sentido, neurodiversidade afirmativa não é utilizar uma linguagem mais atualizada sobre o autismo mantendo os mesmos objetivos de normalização de sempre. Não é adaptar superficialmente o discurso enquanto se continua tentando corrigir comportamentos, eliminar diferenças ou produzir performances de “normalidade”. Uma prática verdadeiramente afirmativa pressupõe transformar as próprias condições de participação, reconhecendo o estudante autista como sujeito ativo do processo educativo e não como alguém que precisa ser ajustado para caber em expectativas normativas.
7. Quando olhas para o mercado da formação sobre autismo e neurodiversidade, o que te preocupa? O que falta?
Quando observo o mercado atual de formações sobre autismo e neurodiversidade, uma das coisas que mais me preocupa é a permanência de uma hegemonia de propostas formativas baseadas no controle, no condicionamento e na normatização dos sujeitos autistas. Ainda há uma presença muito forte de abordagens que reduzem o estudante autista a um conjunto de supostos comportamentos desviantes que precisam ser corrigidos ou ajustados a padrões considerados adequados.
Muitas dessas formações continuam orientadas por uma lógica capacitista, na qual o objetivo central é produzir adaptação e obediência, em vez de construir possibilidades reais de participação, comunicação e desenvolvimento. Mesmo quando utilizam uma linguagem aparentemente atualizada sobre inclusão ou neurodiversidade, frequentemente mantêm, na prática, os mesmos pressupostos normativos historicamente presentes nas intervenções sobre o autismo.
Nesse sentido, é necessário ampliar a presença, nas formações de professores e profissionais, das contribuições dos estudos críticos do autismo, da teoria histórico-cultural e, principalmente, de abordagens lideradas por pessoas autistas. Essas perspectivas possibilitam compreender o autismo a partir das múltiplas possibilidades de comunicação, expressão, aprendizagem e participação coletiva e comunitária.
Além disso, sinto falta de processos contínuos de supervisão e acompanhamento pedagógico. Uma formação pontual tem um alcance limitado. A nossa sociedade está profundamente estruturada por concepções capacitistas e normatizantes das relações sociais, e isso atravessa o cotidiano escolar de maneira muito intensa. Por isso, é necessário construir espaços permanentes de reflexão, escuta e supervisão, preferencialmente com participação de profissionais autistas, pesquisadores e estudiosos comprometidos com perspectivas críticas e afirmativas do autismo.
Mais do que ensinar técnicas, o que falta é promover transformações na própria forma como compreendemos desenvolvimento, aprendizagem, participação e diferença dentro da escola.
8. Qual é a diferença, na tua perspetiva, entre uma formação feita por pessoas neurodivergentes e uma feita por quem estuda o tema “por fora”?
Antes de responder diretamente essa questão, considero importante fazer uma ressalva: o fato de uma formação ser conduzida por uma pessoa autista, por si só, não garante automaticamente uma perspectiva neuroafirmativa ou crítica do autismo. Também é necessário que essa pessoa tenha construído uma compreensão alinhada aos estudos críticos do autismo, à neurodiversidade e a perspectivas histórico-culturais do desenvolvimento. Isso porque também existem pessoas autistas que podem reproduzir propostas baseadas no controle, no condicionamento, na normatização e na tentativa de conversão comportamental.
Dito isso, existe uma diferença muito significativa quando a formação é realizada por uma pessoa autista comprometida com perspectivas críticas e afirmativas do autismo. Nesse caso, quem participa da formação está diante de alguém que viveu a experiência do autismo e, principalmente, a experiência escolar do autismo.
No meu caso, por exemplo, as minhas vivências escolares enquanto pessoa autista são memórias muito presentes e importantes hoje no meu trabalho como pesquisador e formador de professores. Essas experiências permitem perceber aspectos da escolarização que muitas vezes não aparecem nas abordagens mais tradicionais ou puramente técnicas sobre o autismo.
Por isso, a principal diferença está numa compreensão atravessada pela experiência concreta de viver essa condição em uma sociedade e em instituições escolares estruturadas por expectativas normativas. Existe uma dimensão da experiência, da sensibilidade e da percepção das barreiras sociais e educacionais que dificilmente pode ser plenamente compreendida apenas “de fora”.
Quando essa experiência vivida se articula a referenciais críticos e neuroafirmativos, a formação tende a deslocar o foco da correção do comportamento para a construção de possibilidades reais de participação, comunicação, pertencimento e desenvolvimento.
9. O que é que as organizações – empresas, escolas, instituições – deveriam exigir quando escolhem uma entidade formadora nesta área?
Na minha perspectiva, o mais importante é que escolas, empresas e instituições escolham entidades formadoras realmente comprometidas com o bem-estar, a participação e o desenvolvimento social das pessoas autistas, e comprometidas com perspectivas éticas e pedagógicas rigorosas, distantes de interesses exclusivamente mercadológicos.
Infelizmente, ainda existe um grande mercado de formações que opera dentro de uma lógica profundamente marcada pelo capacitismo, reproduzindo práticas de controle, normatização e adaptação comportamental sem uma reflexão crítica sobre os impactos dessas abordagens na vida das pessoas autistas. Por isso, as instituições devem questionar quais são os pressupostos éticos, científicos e pedagógicos que sustentam determinada formação.
Uma pergunta importante seria: essa formação está comprometida com a ampliação da participação, da autonomia, da comunicação e do bem-estar das pessoas autistas, ou está centrada apenas na adequação comportamental e na obediência? Outra questão é verificar se os formadores dialogam com perspectivas contemporâneas, como os estudos críticos do autismo, a neurodiversidade afirmativa e abordagens fundamentadas em direitos humanos.
Também é necessário observar se há participação efetiva de pessoas autistas na construção dessas formações, especialmente pessoas alinhadas a perspectivas críticas e neuroafirmativas. É necessário construir espaços nos quais as experiências vividas e as demandas reais das pessoas autistas sejam consideradas centrais na produção do conhecimento e das práticas pedagógicas.
Além disso, é importante compreender que defender perspectivas neuroafirmativas não significa abandonar a ciência. Pelo contrário. Tudo o que estamos discutindo aqui está fundamentado em evidências científicas contemporâneas. A diferença é que, dentro dos estudos críticos do autismo e da neurodiversidade afirmativa, existe uma preocupação constante em articular ciência, bem-estar, direitos humanos e agencialidade.
Portanto, um dos principais critérios para escolher uma formação deveria ser justamente essa relação ética entre conhecimento científico e compromisso com a dignidade, a participação social e a qualidade de vida das pessoas autistas.
10. O que te motivou a fazer parte da equipa de especialistas da IMPACTsci?
O que me motivou a fazer parte da equipa da IMPACTsci foi, principalmente, perceber um compromisso ético, pedagógico e social com perspectivas críticas e neuroafirmativas do autismo. Isso foi algo que considerei muito importante, porque ainda é relativamente raro encontrar espaços verdadeiramente abertos a propostas que rompam com modelos tradicionais baseados no controle, no condicionamento e na normatização das pessoas autistas.
Também me chamou atenção a abertura para dialogar com as contribuições da perspectiva histórico-cultural, especialmente a partir de Vigotski, que orienta grande parte do meu trabalho como pesquisador e formador. Para mim, é fundamental pensar o desenvolvimento humano e o autismo a partir das relações sociais, das mediações pedagógicas e das possibilidades concretas de participação e construção coletiva.
Além disso, percebi um comprometimento com a qualidade das práticas pedagógicas e com a ampliação das possibilidades de expressão, comunicação e participação social das pessoas autistas. Isso faz muita diferença, porque demonstra uma preocupação que vai além da adaptação superficial ou da mera adequação comportamental. Existe um interesse real em construir práticas que favoreçam desenvolvimento, pertencimento e agencialidade.
Foi justamente essa convergência entre ciência, compromisso social, neurodiversidade afirmativa e preocupação com práticas pedagógicas mais humanas e inclusivas que me fez querer integrar a equipa da IMPACTsci.
11. Para quem te quiser contactar ou acompanhar o teu trabalho, como podem encontrar-te e que tipo de serviços podes prestar?
As pessoas podem acompanhar o meu trabalho principalmente pelo Instagram, no perfil @pedrolucascosta81, onde compartilho reflexões, pesquisas e conteúdos relacionados ao autismo, neurodiversidade, educação inclusiva e teoria histórico-cultural.
Também estou disponível para contato pelo e-mail: pedrolucascosta81@gmail.com, e é claro nas redes da IMPACTsci.
Atualmente, desenvolvo trabalhos voltados à formação de professores e profissionais da educação em diferentes contextos, incluindo cursos de longa duração, formações pontuais, palestras, supervisões e acompanhamentos pedagógicos de instituições e redes educacionais. Além disso, atuo com formação universitária inicial e continuada, formação em serviço e processos formativos relacionados à psicologia da educação especial na perspectiva da educação inclusiva, da relação entre autismo, educação e desenvolvimento a partir dos estudos críticos do autismo, da neurodiversidade afirmativa e das perspectivas histórico-culturais do desenvolvimento humano.
O meu trabalho busca contribuir para a construção de práticas pedagógicas mais acessíveis, participativas e comprometidas com os direitos humanos, a agencialidade e o desenvolvimento social das pessoas autistas.
12. Se pudesses deixar uma mensagem final, o que dirias?
A mensagem final que eu gostaria de deixar é um convite à construção coletiva de práticas mais inclusivas, humanas e comprometidas com o desenvolvimento das pessoas autistas. Faço esse convite ao coletivo porque as barreiras que historicamente impedem a participação social das pessoas autistas também foram construídas coletivamente. E, justamente por isso, elas só podem ser efetivamente superadas de forma coletiva.
As dificuldades enfrentadas pelas pessoas autistas não estão nelas mesmas, mas nas relações sociais, nas instituições, nas formas de organização da escola e nas expectativas normativas que estruturam a nossa sociedade. Por isso, ampliar participação, pertencimento e desenvolvimento exige transformar também os contextos sociais e pedagógicos em que essas pessoas vivem.
Então, o convite que faço é para que professores, profissionais da educação, famílias e todas as pessoas interessadas na construção de uma sociedade mais inclusiva possam repensar as suas práticas e as suas formas de compreender o autismo. Que possamos ampliar as vias de desenvolvimento, de participação e de expressão das pessoas autistas, construindo práticas pedagógicas que valorizem diferentes formas de comunicação, relação e aprendizagem.
Mais do que buscar obediência mecânica ou adaptação a padrões rígidos de normalidade, precisamos construir contextos em que estudantes autistas possam efetivamente participar, se expressar e desenvolver as suas potencialidades de maneira digna e significativa.

